os dias passam sem grande pressa. a rotina ficou a mesma. sempre o mesmo manha-noite. tomo duche sempre pela mesma ordem, cabelo, corpo, pes. seco primeiro as costas. demoro sempre o mesmo tempo a lavar os dentes. sempre o mesmo.
os fins de semana sem planos e no fim mal aproveitados. ou melhor os planos ajustam-se ao momento. entro na loja a procura de uma maquina de secar roupa e saio com um
flatscreen tamanho miniatura la para o quarto quando nao aguento mais de cinco minutos deitada a frente de um ecra.
impulso, sou/somos muito de impulsos. tudo o que faco e por impulsos. ate hoje nunca me arrependi, tirando algumas pecas de roupa no armario. a culpa e das luzes que nos fazem diferentes nas lojas. nao sou muito de pensar nas consequencias. vou andando.
um destes dias tentei escrever
uma carta para mim propria no futuro. eu sei la... sempre detestei aquelas perguntas em entrevistas,
onde e que te ves daqui a cinco anos?. eu quero e ver-me daqui a um mes e garantir que pago as contas, a hipoteca, a creche dos miudos e me sobra para a comida. acho que perguntas destas estao para empregos mediocres para nao usar outra palavra comecada por m. da ultima vez era para um desses, um predio cinzento a cheirar a mofo. comecaram com a treta das qualidades e dos defeitos de caneta na mao, respondi que nao entrava no esquema que nao estava para ali virada, em pensamento, debitei as frases estudadas, sai irritada e foi ali que decidi que nao queria ser mais funcionaria publica.
olhando para tras muito muda em cinco anos. um curso, um casamento, duas mudancas, uma mudanca de pais, mais uma mudanca, uma casa comprada, quatro empregos, dois filhos e muitas imaterialidades que nao sei quantificar. a piada e nao saber o que vai acontecer, por isso a carta do futuro passo. um dia deste venho aqui relatar
a minha relacao com a maquina de lavar.