
gosto de viver num pais dito de moderno. homem casa com homem, mulher com mulher, sou dona do meu utero e com uma assinatura decido que nao quero passar o resto dos meus dias ligada a uma maquina.
deve ser tambem o pais mais seguro do mundo, seguro de ‘assegurado’. seguro de
saude com acrescento para dentista, de responsabilidade civil nao va o miudo partir alguma coisa na creche, seguro de incendio e calamidades, meio seguro de vida, seguro do recheio da casa, seguro do carro, seguro de viagem que sempre me esqueco de cancelar, e o mais estranho de todos, um seguro que no futuro ira pagar o meu
funeral, ja escolhi a musica e penso nas flores (nem sei como traduzir tal coisa para portugues).
julguem-me louca, mas nao acaba aqui, a juntar aos seguros ha os
impostos, o de utilizacao das estradas por trismestre, o dos esgotos, o da recolha do lixo, o do valor pecuniar da casa e as vezes que nao me batem a porta para ver se tenho cao e se ha imposto a pagar! todas as semanas recebo telefonemas para aumentar o valor da reforma e me venderem mais uns quantos seguros, dizem que um que cobre custos de advogado e muito jeitoso. ah… tambem tenho testamento, mas por uma razao pratica e pela falta de padrinhos, se acontecer alguma coisa a quem e que fica a guarda dos miudos. tudo muito asseguradinho.
o melhor e nao fazer contas a vida. depois sinto-me mesmo crescida, assim precavida para a desgraca. uma modernice.
um pais onde a velocidade nas autoestradas caminha para os 80 e nas vilas para os 30. nao por razoes de seguranca, nao para evitar as filas, mas por razoes ambientais. e porque gosto mesmo de papelada, nada como tres multas de uma so vez. duas de estacionamento e uma por excesso de velocidade, 54 km/h onde se pode andar a 50… gosto mesmo de viver num pais moderno.